Dia Nacional do Escritor. Escrever é, antes de tudo, um ato de coragem

Poucas pessoas imaginam quantos silêncios cabem dentro de um livro.
Antes da primeira palavra, existe a dúvida. Antes do primeiro capítulo, existe o temor. E, durante toda a escrita, existe aquela pergunta que insiste em acompanhar o autor: “Será que alguém vai se importar com essa história?”. Escrever um livro é, antes de tudo, um exercício de vulnerabilidade. É aceitar colocar no papel aquilo que durante muito tempo viveu apenas na intimidade dos pensamentos.

No Dia do Escritor, é preciso lembrar que escrever é uma forma delicada de desafiar o tempo. Enquanto tudo passa depressa, um livro permanece. Espera pacientemente numa estante até que alguém o descubra. Vivemos um tempo em que tudo parece efêmero. Vídeos de poucos segundos disputam nossa atenção, algoritmos decidem o que veremos amanhã e a velocidade das redes sociais nos acostuma a consumir muito e aprofundar pouco. Publicar um livro, nesse cenário, parece quase um ato de resistência. É acreditar que ainda existem pessoas dispostas a parar, refletir, sublinhar uma página, voltar um capítulo e dialogar silenciosamente com quem escreveu.

“Inteligência Artificial na Prática” nunca teve a pretensão de explicar o futuro. O desejo era outro: registrar o presente. Contar, com honestidade, os bastidores de um experimento real, mostrando acertos, erros, descobertas e inquietações de quem decidiu trabalhar lado a lado com a Inteligência Artificial antes que ela se tornasse assunto obrigatório em todas as conversas. Mais do que escrever sobre tecnologia, o desafio era escrever sobre pessoas. Sobre o medo do desconhecido.

Por isso, receber a notícia de que a obra foi selecionada para integrar o catálogo da Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026 tem um significado que ultrapassa qualquer conquista pessoal. É a confirmação de que boas histórias ainda encontram leitores. Que experiências verdadeiras continuam despertando interesse. E que conhecimento, quando compartilhado com sinceridade, sempre encontra um caminho para chegar mais longe do que imaginávamos.

Escrever um livro é lançar uma pequena garrafa ao oceano, sem saber em que praia ela vai aportar. Às vezes ela percorre poucos metros. Outras vezes atravessa continentes. Mas, quando chega às mãos de alguém disposto a abrir a mensagem e refletir sobre ela, toda madrugada de escrita, toda página revisada e toda dúvida enfrentada passam a fazer sentido. Porque livros não mudam bibliotecas. Eles mudam pessoas. E pessoas, quando transformadas, são capazes de tornar um mundo um lugar melhor. Escrever é construir pontes entre gerações, ideias e sonhos.

Alexandre Scalise é publicitário e jornalista, com formação em marketing e MBA em Inteligência Artificial. Atua há mais de 25 anos na criação de estratégias de comunicação e conteúdo, unindo tecnologia e criatividade. Especialista em marketing digital e marketing político, é executivo da agência Alessá e estuda como a Inteligência Artificial vem transformando o modo como trabalhamos, pensamos e nos conectamos.